20.11.12

ode à boca fechada

eu digo muito pouco com as palavras.

dizer mesmo
é com os vazios:
poesia é algo de vento
plenitude de ausências
onde sombras irradiam
e os i-Pods podem.

dizer mesmo
hoje em dia
é desnecessário...

e,
cá entre nós,
chatice pura.

(para Marcos Almeida)

5.11.12

associações

em muitos momentos
me lembro do
Itamar.

geralmente
uma risada boa
me vem à
memória

e um riso contido
à boca.

11.10.12

autoconsciência

sou ínfimo
entre minhas
peles -
como um comentário entre parênteses
ou um comprimido para a dor de cabeça.
ou um fusca.

vivo em redução
ante o assombro
da existência.

e é em meu caminhar subtrativo
que desapego de mim:
esfregando-me em pontudas pedras
deixando-me cair de mim.
deleto-me.

olho o preciso espelho de Suas palavras:
ali a humanidade perdida
em Jesus recuperada.

autor: João da Pena*.

*observação: João da Pena sou eu mesmo.

simplificação existencial


entre Deus
e o
meu coração

a hipocrisia.

concretismos

a
  ç
 a
m
   u
f



2.10.12

nomes errados

o duchamp
deveria se chamar
urinomp

confissão

perdi o respeito pela poesia.

e ela ficou
beeeeeem
mais engraçada
rs.

limites

o poema sempre
tem uma
cerca inerente

a palavra é seu limite
o leitor é seu limite
o tempo é seu limite
o poeta é o ...
o ...
o ...
sei lá...


do ócio

ai ai ai...!
estar à toa
é como dizer
ai ai ai...!
faz uma cócega
dentro da barriga
ai ai ai...!
estar à toa
mão na barriga
ai ai ai...!
é como dizer
faz uma cócega?
ai ai ai...!
se fico de pé
a preguiça se vai
ai ai ai...!

14.9.12

prazer

certas palavras com 's' me alegram
gosto de pronunciá-las devagar
apenas para ter a lufada de ar
na ponta do dente,
do sssssssssss
como em estúpido
ou esquálido
ou esforço

de fato
não me interessa o significado
da palavra
pois neste exercício mecânico
ao pronunciá-lo arrastado
- o 's' -
eleva-se a
significado

paradoxo

definitivamente
não consigo
definir
muita coisa

16.8.12

ode

Sua alegria, ó Cristo,
brota em mim
sempre

faça chuva ou sol
doença, dor ou festa
Sua alegria

comovido
minhas barreiras desmoronam
ao som dos Seus firmes
passos
ao silêncio dos Seus
verdes campos

guia-me mansamente a águas tranquilas
mesmo entre os vales da morte
tenho descanso

enches de vinho o meu coração:
e, de paz,
minh'alma transborda.

(para Jesus Cristo)





27.6.12

obstetrícia

espero o poema
como quem não está esperando coisa alguma
(des-espero o poema)

sem aviso ou hora marcada
uma frase torna-se um embrião de poema -
como se a fecundação ocorresse silenciosa
entre as relações cotidianas -
ou como se estivesse diante de mim
acenando e gritando
para que eu acorde da denotação.

acordo com
contrações de parto
(qual o microscópio que revela as divisões das palavras?)
dou à luz o poema.

cortado o cordão umbilical
o pego no colo:
o sorriso misterioso
o peso adequado
a respiração musical
o queixo do pai
me causam grande satisfação.
adormeço.

(e enquanto durmo
o poema foge do hospital
ganha as ruas
e vai viver
entre as flores e a violência)

22.5.12

essência

toda biblioteca tem que ser uma
biblioteca -
não há generalidades além do fato que:

construir uma biblioteca
é moldar o silêncio
para que seja moldura
de vozes
[em livros] guardadas.



9.5.12

minha vida

1.
ando:
entre nuvens

ardo:
entre chamas

vivo-morro acima.

2.
ao redor de mim:
pessoas e todos os seus dramas.

3.
dentro:
Jesus Cristo

e
Seu amor
- sublime -
como seiva
como um dia de sol
me sustenta e'ilumina.

(Inspirado em Gálatas 2:20)


24.4.12

eficiência do mineiro

o minêro falassim
e diminui aspalavra
falano sempr'em'iudin.

27.3.12

Carlos Drummond de Andrade

meu blog vive
prestando concurso público
para virar
livro.

já pensou, poesia com 13º salário e férias?

31.1.12

Lavoisier Salomão

um dia desses uma veterinária
de olhos bonitos
me falou:
- o olho é como uma jabuticaba.

(tal foi o choque que entrei em estado de poesia)

falou também que o cristalino é o nosso zoom
para verde-perto e vermelhor.

...na hora saquei qual é a da fotografia.

vi também
que tudo já foi
e não há nada novo
que se invente:

criação é sempre releitura
e nossos inventores
são os capazes de apanhar
as jabuticabas
que Deus plantou.

efemeridade

a bolha de sabão
em.bola-se
vento
embalagem
do ar

pluft!

Salmo 93

o Senhor
Criador
Reina

naturalmente Ele é
(e tudo passará: seja a relva a praça ou a arma)

ouve o
estampido
que rompe
o dia?

acaso é o jato, o grito de gol, a usina em combustão?
- não!

tudo é silêncio
ante seus passos
e
exala justiça
o puro Deus.

*Inspirado em http://www.bibliaonline.com.br/acf/sl/93

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