cidade nasce quando se pisa o pé no passeio público
conhece cidade quem sabe o cio do ócio a cia da lida
.
exemplo grande o arrepio de São Paulo que nos suprime do olho o horizonte
ou, antes, cria sua verticante como se sempre ímpeto
não repouso
de cá o espalhar esburacado de Uberlândia pelo cerrado - sublime olho'rizonte -
alguns despontamentos em prédios não tomam da gente nenhum azul
nenhum repouso esparramado nenhuma ausência de avistamentos
Goiandira que é mais um seu do que um céu - o cheiro da ferrovia da cotovia -
extrair da
p a r a l i s i a
o movimento do sol
o gosto do sal de sua terra branca, de sua gente parda
- pardo meu sangue vento - seus paralelepípedos hexagonais
como se abelhas os habitassem caladas, melando os sapatos
o saber do pequi seu sabor amarelo
os doidos as crianças os senhores as meninas os doces
... :
vejo agora dentro de mim
uma pequena rua negra de casas brancas de amigos velhos de sanduíches com alface de caminhões e vidraças
(se nem tudo foi bom
- quase)
estando em
pé 1000
estrelas em
redemoinho
aguardo a dissolução
- tudo passa -
fincado o carinho
ENCURTAÇÃO
10.11.09
30.10.09
agricultura
lavrar o papel
(ou qualquer outro solo poético peleparedepc)
enxada na mão
lavar a mão
da enxurrada de
letra
asopidnvpodiaspondakpsodkaspnurasernpaviopsfsdjpofjnsdpfdspfnsapdfsdonsaofpnspodfd
de cabo em punho
dar cabo ao poema
levá-lo do leito do
coma ao
do rio
verdade mesmo é
ar que respiro, conta d'água, soluço etc
no mais
empenho de poeta
é rede de baiano
(ou qualquer outro solo poético peleparedepc)
enxada na mão
lavar a mão
da enxurrada de
letra
asopidnvpodiaspondakpsodkaspnurasernpaviopsfsdjpofjnsdpfdspfnsapdfsdonsaofpnspodfd
de cabo em punho
dar cabo ao poema
levá-lo do leito do
coma ao
do rio
verdade mesmo é
ar que respiro, conta d'água, soluço etc
no mais
empenho de poeta
é rede de baiano
29.10.09
dentição
por mim, abocanhadura seria,
apenas dentes:
'a-boca-nhá-dura'
dentes - ou penas -
para o fim
do bocado:
ali, alimento entre,
em gula
embora língua
saliva o dente
salíngua boca
engole pura
sibila na garganta
entre vivas e ácidos
a comida
livre
dos ossos
plena
diamassos.
apenas dentes:
'a-boca-nhá-dura'
dentes - ou penas -
para o fim
do bocado:
ali, alimento entre,
em gula
embora língua
saliva o dente
salíngua boca
engole pura
sibila na garganta
entre vivas e ácidos
a comida
livre
dos ossos
plena
diamassos.
pequeno dicionário de exercícios poéticos
verbete: suicídio | s.m.
coragem de
ter cova
(rdia)
de si.
coragem de
ter cova
(rdia)
de si.
28.10.09
muerte luz
nasce o poema
da
cova
do
dicionário
(luz-vapores escapam da corrente elétrica no teclado)
poeta mesmo é aquele que
dá a vida pelo
verso o verso pela estrofe
o
poeta sopra na letra o
fôlego em seu
barro tipológico
morrer o poema anterior é preciso
ao nascer o próximo que, extensão,
é renovo.
areia nascediça é a palavra
o poeta, suicida,
nelafunda.
(para Muryel de Zoppa)
da
cova
do
dicionário
(luz-vapores escapam da corrente elétrica no teclado)
poeta mesmo é aquele que
dá a vida pelo
verso o verso pela estrofe
o
poeta sopra na letra o
fôlego em seu
barro tipológico
morrer o poema anterior é preciso
ao nascer o próximo que, extensão,
é renovo.
areia nascediça é a palavra
o poeta, suicida,
nelafunda.
(para Muryel de Zoppa)
27.10.09
pequeno dicionário de exercícios poéticos
verbete: calota polar | s.f. E adj.
2 hemisférios
do cérebro
do globo
em retração.
2 hemisférios
do cérebro
do globo
em retração.
20.10.09
tirocínio da letra
destampar o abismo que são as coisas:
nada mais coube ao poema.
da letra sem dimensão
fluir as coisas, pela mão:
ou do desvão próprio da cabeça
faze-lo vão, sem nobreza.
coube ao poema muito,
pouca coisa mesmo,
coube ao poema a crueza
da vida - não da cabeça -
coube o esbarrão.
esfregão de idéias gastas,
limpa o piso branco
- o poema -
sabendo que é chão
sabendo que apenas basta.
... poeira
nada mais coube ao poema.
da letra sem dimensão
fluir as coisas, pela mão:
ou do desvão próprio da cabeça
faze-lo vão, sem nobreza.
coube ao poema muito,
pouca coisa mesmo,
coube ao poema a crueza
da vida - não da cabeça -
coube o esbarrão.
esfregão de idéias gastas,
limpa o piso branco
- o poema -
sabendo que é chão
sabendo que apenas basta.
... poeira
15.10.09
conjugação do desejo
esta está bem;
aquela (?) quisera eu.
não mais que querido
o pretendido teu...
pretérito apenas.
____________
querendo só,
nada existe
o querer inútil
face ao todo.
querendo todos:
nunca.
e nós?
diluição de desejos
, entre os passos,
devaneios.
aquela (?) quisera eu.
não mais que querido
o pretendido teu...
pretérito apenas.
____________
querendo só,
nada existe
o querer inútil
face ao todo.
querendo todos:
nunca.
e nós?
diluição de desejos
, entre os passos,
devaneios.
13.10.09
evolução
pontas dos dedos achatadas
ruidoso pianista
sinuoso tombar das costas
ourives impertinente
retina exarcebada
atento marujo em mar aberto
braços estendidos em
proximidade
gatuno algemado
o fluir ininterrupto da corrente elétrica
da cabeça pelos nervos pelos músculos pelo ar pelas teclas pela tela pela rede pela
em posição de pescaria
o corpo em suspensão.
ecce homo calculus!
ruidoso pianista
sinuoso tombar das costas
ourives impertinente
retina exarcebada
atento marujo em mar aberto
braços estendidos em
proximidade
gatuno algemado
o fluir ininterrupto da corrente elétrica
da cabeça pelos nervos pelos músculos pelo ar pelas teclas pela tela pela rede pela
em posição de pescaria
o corpo em suspensão.
ecce homo calculus!
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sobre o autor
- henrique vitorino
- uberlândia, mg, Brazil
- poesia é a busca, no patente, do oculto.