4.6.09

estalo

sabe aquela sensação que alguma coisa estalou?
sabe aquela sensação que alguma coisa fez clic?
sabe quando você morde e talvez uma pedra no feijão?
talvez um pequeno osso na galinhada, um pedaço de dente que se soltou?
sabe aquele insight de quando escrevendo qualquer coisa que não sai?
assim, aquele estampido surdo no ouvido interno, talvez um inseto contra o pára-brisas?
talvez uma trinca que nasce no concreto... ou na espelho?
sabe aquela impressão de que se falou demais, de que olhou demais?
talvez, sabe, só talvez, foi um centímetro a mais no corpo em crescimento, na barriga em crescimento...
talvez, bem talvez, uma letra, uma cor, uma peça de roupa, uma gota a mais;
talvez ainda uma cena a mais na película...
sabe isso?

é quando se percebe que o indizível opera em mínimos movimentos
silenciosas danças sísmicas, soma de ajustes interiores da alma.

a maturidade se forma por gotejamento incessante
gota a gota.
às vezes uma bolha no gargalho interrompe o fluxo...
o tempo se suspende
eternamente. então
a bolha se rompe
e uma onda deságua
rápida, surda, avassaladora:
um estalo, sabe?

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