4.1.10

o escafandro e a borboleta

(
onde pálpebras
são
asas
o silêncio
explode
em piscar
de olhos
)

pequeno dicionário de exercícios poéticos

verbete: Deuss.m.

alto-ajuda.

22.12.09

paisagem 1

amarelo.vermelho.verde.azul.

o pôr-do-sol
e a
lagoa
jazem
na

burocracia.

21.12.09

prisão de ventre

das barras do intestino
sem fiança
sem rota de fuga
aos berros do inquilino
os barros
entupidos
sem habeas corpus
ou outro artifício.

a força incapaz
não há iogurtes
mamão ou
fibras alimentares.

onde o alívio?

alcatraz nutritiva -
não há juiz
que autorize
pela lei
do
ventre-livre.

23.11.09

18.11.09

poema parasita 2

No setembro
tem chuvas.
Nas chuvas
brotam cigarras.

por sua vez,
cigarros
, nas chuvas,
desbotam,
impotentes.


Cigarras
cigarilham
estridentes
dentro
dos meus
orifícios.


e, nos meus,
flutuantes,
cigarros aniquilam
dentifrícios.


ci ga rra | ci ga rra


e..s...f...u..m...a..ç..a...

Nome, som
incrustantes.

nome, som
deteriorantes.


* os versos em vermelho são da poeta Raquel Beatriz, do blog: Desacanhamento poético

poema parasita 1

costurados ao
céu
algodões
engravidam de escuro.


rompe-se a bolsa:
chuva.

* os versos em vermelho são do poeta Muryel de Zoppa, do blog: Crônicas, Metáforas e Outros Mamíferos

fissão etimológica

peguei
um poema
de re-lance

mas, no
durante dele,
a dúvida:
de que lance, o bis?

telefone

A
d-i-s-c-a-n-d-o
p-a-r-a
B.

C
diz quando
desocupar-se-A
de B's.

10.11.09

vilaria

cidade nasce quando se pisa o pé no passeio público
conhece cidade quem sabe o cio do ócio a cia da lida

.

exemplo grande o arrepio de São Paulo que nos suprime do olho o horizonte
ou, antes, cria sua verticante como se sempre ímpeto
não repouso

de cá o espalhar esburacado de Uberlândia pelo cerrado - sublime olho'rizonte -
alguns despontamentos em prédios não tomam da gente nenhum azul
nenhum repouso esparramado nenhuma ausência de avistamentos

Goiandira que é mais um seu do que um céu - o cheiro da ferrovia da cotovia -
extrair da
p  a  r  a  l  i  s  i  a
                                                   o movimento do sol
o gosto do sal de sua terra branca, de sua gente parda
- pardo meu sangue vento - seus paralelepípedos hexagonais
como se abelhas os habitassem caladas, melando os sapatos
o saber do pequi seu sabor amarelo
os doidos as crianças os senhores as meninas os doces

... :

vejo agora dentro de mim
uma pequena rua negra de casas brancas de amigos velhos de sanduíches com alface de caminhões e vidraças

(se nem tudo foi bom
- quase)

estando em
pé 1000
estrelas em
redemoinho

aguardo a dissolução
- tudo passa -
fincado o carinho

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