17.12.14

ácidade

a gente tem mesmo
é que chamar a cidade
de Cida
toca-la
como Seda
senti-la
como Vida.


23.5.14

para raquel

mãe
obrigado pela
mão
que és

em todas
ocasiões:
mão

não cabe
neste papel
descrever
de tão mão
que és

mãe -
bênção
do céu:

mão, perna, braço e pé.

18.3.14

segredo

geralmente procuro
fazer poemas
sobre
qualquer coisa

quase sempre
poemas
pequenos

com poucas
palavras por verso

e um final
engraçadinho

arquitetura

sala de aula
sala de estar
sala de jantar
sala de tv
sala de reuniões
etc:

eu queria terminar este poema com algum verso de efeito.

Do sabor 2

arroz sozinho
não alegra

um salzinho
já ajuda

em arraial d'ajuda
o que alegra
- mesmo -
é um solzinho

Do sabor

arroz é
bom

mas só
com
mistura

sozinho
é só arroz

1.10.13

dia de sol

um poema sobre
um dia de sol
não é nada fácil

fácil mesmo,
em dias de sol,
é sombra
água fresca e
(por que não?)
um ar condicionado.



2.6.13

chuva

troposfera caudalosa:
o molho denso
desce
o
céu,
cinzento.

daqui debaixo
os crocs, lamacentos:
lentos passos
na fusão entre
os passos
e as poças.




18.4.13

piada

odeio a situação
do homem
na rua
- sujo

do homem
feito cão
- ou menos

do  homem
desfeito homem
sendo...

sua alegria
rápida
um gole uma pedra uma piada vã.

piada boa mesmo
é a constituição federal
e o vidro fechado no sinal.

rasante

verso rápido
sem tempo para
rever-so fast.

4.3.13

franqueza

o poema surge
não, não...

o poema nasce
não, não...

o poema, pra falar a verdade,
espuma
pelo canto da boca
à medida que a vida
escorre
pela ponta da língua.

18.2.13

condição da poesia

o poema surge porque existe relação:

a palavra isolada
não faz poesia -
como a letrinha
sozinha
não faz a sopa

é preciso sempre
o outro da palavra
aquele a quem ela
se dirige
ora com amor
ora com indiferença
ora com uma
cafungada gostosa

o poema acontece
no ambiente da palavra
ele se movimenta
de uma palavra a outra
mesmo que seja
(a outra)
sujeito indefinido
mercado futuro
ou pai ausente.

1.2.13

rima

a beleza da flor
da dor
da cor do céu.

a beleza do amor
da dor
da cor do seu.

10.1.13

título

verso
verso
verso
verso

verso
verso
verso
verso

(autor: José Sem Graça)

4.1.13

3ª idade

e se fosse em contagem regressiva?

20.11.12

ode à boca fechada

eu digo muito pouco com as palavras.

dizer mesmo
é com os vazios:
poesia é algo de vento
plenitude de ausências
onde sombras irradiam
e os i-Pods podem.

dizer mesmo
hoje em dia
é desnecessário...

e,
cá entre nós,
chatice pura.

(para Marcos Almeida)

5.11.12

associações

em muitos momentos
me lembro do
Itamar.

geralmente
uma risada boa
me vem à
memória

e um riso contido
à boca.

11.10.12

autoconsciência

sou ínfimo
entre minhas
peles -
como um comentário entre parênteses
ou um comprimido para a dor de cabeça.
ou um fusca.

vivo em redução
ante o assombro
da existência.

e é em meu caminhar subtrativo
que desapego de mim:
esfregando-me em pontudas pedras
deixando-me cair de mim.
deleto-me.

olho o preciso espelho de Suas palavras:
ali a humanidade perdida
em Jesus recuperada.

autor: João da Pena*.

*observação: João da Pena sou eu mesmo.

simplificação existencial


entre Deus
e o
meu coração

a hipocrisia.

concretismos

a
  ç
 a
m
   u
f



Seguidores

hit counter