4.3.13

franqueza

o poema surge
não, não...

o poema nasce
não, não...

o poema, pra falar a verdade,
espuma
pelo canto da boca
à medida que a vida
escorre
pela ponta da língua.

18.2.13

condição da poesia

o poema surge porque existe relação:

a palavra isolada
não faz poesia -
como a letrinha
sozinha
não faz a sopa

é preciso sempre
o outro da palavra
aquele a quem ela
se dirige
ora com amor
ora com indiferença
ora com uma
cafungada gostosa

o poema acontece
no ambiente da palavra
ele se movimenta
de uma palavra a outra
mesmo que seja
(a outra)
sujeito indefinido
mercado futuro
ou pai ausente.

1.2.13

rima

a beleza da flor
da dor
da cor do céu.

a beleza do amor
da dor
da cor do seu.

10.1.13

título

verso
verso
verso
verso

verso
verso
verso
verso

(autor: José Sem Graça)

4.1.13

3ª idade

e se fosse em contagem regressiva?

20.11.12

ode à boca fechada

eu digo muito pouco com as palavras.

dizer mesmo
é com os vazios:
poesia é algo de vento
plenitude de ausências
onde sombras irradiam
e os i-Pods podem.

dizer mesmo
hoje em dia
é desnecessário...

e,
cá entre nós,
chatice pura.

(para Marcos Almeida)

5.11.12

associações

em muitos momentos
me lembro do
Itamar.

geralmente
uma risada boa
me vem à
memória

e um riso contido
à boca.

11.10.12

autoconsciência

sou ínfimo
entre minhas
peles -
como um comentário entre parênteses
ou um comprimido para a dor de cabeça.
ou um fusca.

vivo em redução
ante o assombro
da existência.

e é em meu caminhar subtrativo
que desapego de mim:
esfregando-me em pontudas pedras
deixando-me cair de mim.
deleto-me.

olho o preciso espelho de Suas palavras:
ali a humanidade perdida
em Jesus recuperada.

autor: João da Pena*.

*observação: João da Pena sou eu mesmo.

simplificação existencial


entre Deus
e o
meu coração

a hipocrisia.

concretismos

a
  ç
 a
m
   u
f



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