2.6.13

chuva

troposfera caudalosa:
o molho denso
desce
o
céu,
cinzento.

daqui debaixo
os crocs, lamacentos:
lentos passos
na fusão entre
os passos
e as poças.




18.4.13

piada

odeio a situação
do homem
na rua
- sujo

do homem
feito cão
- ou menos

do  homem
desfeito homem
sendo...

sua alegria
rápida
um gole uma pedra uma piada vã.

piada boa mesmo
é a constituição federal
e o vidro fechado no sinal.

rasante

verso rápido
sem tempo para
rever-so fast.

4.3.13

franqueza

o poema surge
não, não...

o poema nasce
não, não...

o poema, pra falar a verdade,
espuma
pelo canto da boca
à medida que a vida
escorre
pela ponta da língua.

18.2.13

condição da poesia

o poema surge porque existe relação:

a palavra isolada
não faz poesia -
como a letrinha
sozinha
não faz a sopa

é preciso sempre
o outro da palavra
aquele a quem ela
se dirige
ora com amor
ora com indiferença
ora com uma
cafungada gostosa

o poema acontece
no ambiente da palavra
ele se movimenta
de uma palavra a outra
mesmo que seja
(a outra)
sujeito indefinido
mercado futuro
ou pai ausente.

1.2.13

rima

a beleza da flor
da dor
da cor do céu.

a beleza do amor
da dor
da cor do seu.

10.1.13

título

verso
verso
verso
verso

verso
verso
verso
verso

(autor: José Sem Graça)

4.1.13

3ª idade

e se fosse em contagem regressiva?

20.11.12

ode à boca fechada

eu digo muito pouco com as palavras.

dizer mesmo
é com os vazios:
poesia é algo de vento
plenitude de ausências
onde sombras irradiam
e os i-Pods podem.

dizer mesmo
hoje em dia
é desnecessário...

e,
cá entre nós,
chatice pura.

(para Marcos Almeida)

5.11.12

associações

em muitos momentos
me lembro do
Itamar.

geralmente
uma risada boa
me vem à
memória

e um riso contido
à boca.

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