a quinta vértebra sempre me dói diferente:
penso que, de todas, é a mais carente.
2.6.09
29.5.09
27.5.09
união
o outro é uma outra coisa
o eu também.
o outro e o eu, juntos,
são duas coisas absurdamente duas
ou três:
o eu também.
o outro e o eu, juntos,
são duas coisas absurdamente duas
ou três:
26.5.09
engarrafamento
um engarrafamento é um amontoado de automóveis parados pois querem todos se movimentar de casa para o trabalho do trabalho para casa. problema de relógio.
um engarrafamento também é o cortejo fúnebre do expediente: o fim do ficar em casa ou do trabalhar. a tarde sempre morre através dos escapamentos. a noite nada é além da união das partículas poluentes expelidas dos autos que às vezes cobrem tudo... às vezes sobram estrelas, outras lua - ou parte dela. a lua quando sobra pouco é mais uma unha cortada do que lua, propriamente lua. o dia demora exatamente uma noite para limpar do céu o negrume. o véu noturno na verdade é parte de um ciclo maior, que começa com 1.o acúmulo de restos orgânicos em fundos de lagos que 2. com o tempo se transmudam em óleo de pedra e então 3. é removido por brocas longas para 4. servir de isqueiros, gasolina, computadores, canetas, casas, foguetes, bonecas etc 5. então volta para o chão ou para o céu.
um engarrafamento não tem relação alguma com garrafas. às vezes elas podem causar grandes engarrafamentos, que chamamos engavetamentos - que não tem relação alguma com guardar coisas, meias, cartas, facas, segredos etc
um engarrafamento é um carro outro outro outro outro outro outro outro outro sinal outro outro
as motocicletas são fluidas mas não engarrafáveis, paradoxo do tráfego.
um engarrafamento também é o cortejo fúnebre do expediente: o fim do ficar em casa ou do trabalhar. a tarde sempre morre através dos escapamentos. a noite nada é além da união das partículas poluentes expelidas dos autos que às vezes cobrem tudo... às vezes sobram estrelas, outras lua - ou parte dela. a lua quando sobra pouco é mais uma unha cortada do que lua, propriamente lua. o dia demora exatamente uma noite para limpar do céu o negrume. o véu noturno na verdade é parte de um ciclo maior, que começa com 1.o acúmulo de restos orgânicos em fundos de lagos que 2. com o tempo se transmudam em óleo de pedra e então 3. é removido por brocas longas para 4. servir de isqueiros, gasolina, computadores, canetas, casas, foguetes, bonecas etc 5. então volta para o chão ou para o céu.
um engarrafamento não tem relação alguma com garrafas. às vezes elas podem causar grandes engarrafamentos, que chamamos engavetamentos - que não tem relação alguma com guardar coisas, meias, cartas, facas, segredos etc
um engarrafamento é um carro outro outro outro outro outro outro outro outro sinal outro outro
as motocicletas são fluidas mas não engarrafáveis, paradoxo do tráfego.
25.5.09
diálogos 2
- Algumas palavras deveriam admitir certas mutações morfológicas!
- Hm...
- A língua deveria padecer de mais freqüentes arroubos semânticos, de maiores, mais ousadas, aventuras, escaladas, flaneries poéticas.
- Sei...
- A norma culta, ainda de gravata e paletó, promontório real, deveria incorporar vernáculos e certos poetas trangressores, marginais etc
- É...
- E tu, nada diz?
- Lindura isso môço. Cê viu que a noite caiu?
- ?
- Hm...
- A língua deveria padecer de mais freqüentes arroubos semânticos, de maiores, mais ousadas, aventuras, escaladas, flaneries poéticas.
- Sei...
- A norma culta, ainda de gravata e paletó, promontório real, deveria incorporar vernáculos e certos poetas trangressores, marginais etc
- É...
- E tu, nada diz?
- Lindura isso môço. Cê viu que a noite caiu?
- ?
quem?
queria te saber até o fundo do que cabe aí dentro tudo é uma confusão de saberes até a borda de você não sei nem a metade me transbordam a cabeça dúvidas quem quem quem...??
ensaio cromático
a dor de dente
é branca
a dor de dente
um alfinete chato
é branca
a dor de dente
um alfinete chato
preso a uma mola
que é branca
a dor de dente
alfinete, mola,
é branca
e não há paz.
é branca
a dor de dente
um alfinete chato
é branca
a dor de dente
um alfinete chato
preso a uma mola
que é branca
a dor de dente
alfinete, mola,
é branca
e não há paz.
22.5.09
psicodelia gripal
um rouxinol branco
dois jasmim-manga
três loucados tossindo
e rindo
tossindo e rindo
o primeiro pousou no segundo
e os terceiros rindo
loucura é passar embaixo e não notar
dois jasmim-manga
três loucados tossindo
e rindo
tossindo e rindo
o primeiro pousou no segundo
e os terceiros rindo
loucura é passar embaixo e não notar
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